quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Machado (eternamente) de Assis

PROJETO DE LITERATURA

No dia 07 de novembro último, foi realizada pelos alunos do 3º ano do ensino médio (noturno), no auditório do Colégio Estadual Pe. Mello, a culminância do Projeto de Literatura “Machado de Assis – Centenário de Morte”.
Fruto de um trabalho de pesquisa exaustivo, durante dois meses, os alunos fizeram uma bela e consistente apresentação, em que reuniram criatividade e conhecimento. Em trajes de gala, apresentaram a biografia do autor homenageado de forma lúdica; encenaram trecho da polêmica obra “Dom Casmurro”; declamaram; representaram o conto “Um Apólogo”; apresentaram um desfile com as principais personagens das obras mais conhecidas de Machado de Assis; e o desfecho foi com a declamação por uma aluna do famoso soneto “A Carolina”, que posteriormente foi cantado pelo aluno que magistralmente o musicou.
O Projeto de Literatura é desenvolvido todos os anos em nosso educandário com a finalidade de aplicar as competências e habilidades dos educandos, bem como interagir com sua família no dia da culminância, principalmente.

Machado (eternamente) de Assis - Edson Lobo Teixeira

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Em tempos de “internetês” e de violência urbana – mais precisamente nos morros do Rio de Janeiro –, a importância de Machado de Assis um século depois de sua morte é pujante, uma vez que a sua vida e a sua obra servem de paradigma em qualquer época.
As competições do século XXI, a profusão de informações, os acelerados avanços tecnológicos e toda essa violência sem sentido nos impingem um inevitável estresse, quando não, uma funesta depressão. É aí que entram os livros de auto-ajuda – tão requisitados atualmente. Eles são para muitos a tábua de salvação (muitas das vezes inócuas!). Se lermos a biografia do moleque baleiro, que se tornou fundador e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras, encontraremos um roteiro real que poderia ocasionar um desfecho infeliz: nasceu no morro, franzino e doentio; o pai era mulato, a mãe, portuguesa; ainda pequeno, perde a mãe; o pai casa-se novamente e, por felicidade, a madrasta era boa; logo depois morre o pai; Machado ficou sob os cuidados da madrasta e para sobrevivência vendia balas e doces na porta dos colégios que não podia freqüentar.
Todavia, o menino do morro, com seus parcos conhecimentos adquiridos numa escolinha da redondeza, conseguiu, com muito esforço e ajuda de terceiros, uma vasta cultura de causar inveja a qualquer membro das famílias abastadas. Foi um autodidata! Fez de tudo na vida: de operário de gráfica a escriturário de repartição pública. Casou-se com a mulher amada – Carolina.
Sua vida iniciou-se à margem da sociedade, entretanto não se tornou um marginal. Conquistou o respeito e o prestígio social. Foi um homem completo... Ou quase: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria” – é o lamentável desabafo de Brás Cubas (ou de seu criador?), ao encerrar suas memórias.
No âmbito cultural, a obra machadiana permanece até hoje devido ao seu sublime talento na arte da palavra, o que originou a criação de uma galeria de personagens que fascinam e instigam todas as gerações.
A sua genialidade é refletida no seu estilo próprio, que o transformou no melhor prosador de nossas letras. A criação do romance psicológico, por exemplo, proporcionou ao leitor acompanhar o amadurecimento da personagem ao longo da narrativa, ficando esta para o segundo plano. Privilegiou o mundo interior sobre o exterior. Foi um adeus à linearidade do enredo, muito a gosto dos românticos.
A expressão machadiana é sóbria. Não usa o registro oral, usa o registro formal, uma linguagem escorreita, no padrão formal, embora preserve a simplicidade na riqueza da linguagem. É conveniente que qualquer escritor incipiente ou não leia Machado de Assis a fim de que possa conhecer um rico universo literário, que revolucionou uma época e ainda se conserva cativante, pois continua suscitando debates reflexivos e polêmicos como a traição (?) de Capitu, em Dom Casmurro.
O autor de Quincas Borba foi ambíguo, irônico, sutil e se utilizou do humor negro para fazer refletir em vez de rir. Perito em tecer histórias que galgam o tempo, foi autor múltiplo, inventivo e original, um verdadeiro bruxo, como carinhosamente fora chamado por Carlos Drummond de Andrade. Um bruxo beletrista que jamais cairá no oblívio!
Machado (eternamente) de Assis porque a sua trajetória de vida e literária transcende as eras. Peculiaridades de gênio! Por conseguinte, corroboram as palavras do crítico e historiador francês Gustave Lanson: “O gênio é sempre de seu século, mas sempre o ultrapassa; os medíocres são inteiramente de seu século, estão sempre na temperatura de seu meio, no nível de seu público”.

1 comentários:

Márcia disse...

Caro prof. Edson! O seu amor e sua intimidade pela Língua Portuguesa me fascinam! Fico encabulada quando preciso falar contigo (V.Sª, convosco... Como é mesmo que se fala?)e me limito a dizer somente: "Oi!"

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Colégio Estadual Padre Mello

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